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EDITORIAL


MORDIDA
Texto publicado no stand da Propágulo na ART.PE 2025 Agarramos uma presa com nossos dentes amolados. Mordemo-la, dilaceramo-la em nacos para enfim mastigar sua carne dentro desse espaço cavernoso, de céu sempre noturno, ao qual chamamos boca. A boca lambe os pedaços do mundo tragado pelo dia com sua escuridão molhada. Arranca-os de seu corpo, toma-os para si. É a este movimento de rasgo do tecido do mundo para então torcer-lhe e embeber-lhe de mistério que esta mostra respond
Propágulo
18 de jun.


ANA FLÁVIA MARU: LÉXICO MIRMECOLÓGICO
Artistas têm surpreendentes afunilamentos de interesse. Acompanhá-los é deparar-se com pessoas obcecadas. “Obcecado”, do latim obcaecare, significa “tornar cego”, “ofuscar”. Se criar, em grande medida, é cegar-se diante do que está ao nosso redor, não é por um ofuscamento geral do mundo, mas por sua casmurra maneira de vê-lo. Um ou outro encontro em suas vidas geram uma espécie de epifania que se entranha em sua constituição com veemência. Contamina seus olhos, que padecem de
Guilherme Moraes
18 de jun.


GABZ 404: A CONFUSÃO É PARTE DO MÉTODO
Transgeneridade, série 2384 “O artista sem obras atua, em constante estudo e autodesignação, dentro de uma concepção de arte que tende a se perder quando extrapola seus limites, levando a preencher consigo mesmo nosso mundo. Trata-se de uma abordagem de arte, e de artista, que encara e manipula a tensão que engloba o trágico da vida cotidiana e suas potencialidades; que se liga à qualidade do agir humano atento às energias latentes na vida e nas relações sociais nelas imbrica
Guilherme Moraes
17 de jun.


O QUE NO BREU SE EVOCA
“Mas o vento vira, as coisas mudam, e a alteridade sempre termina por corroer e fazer desmoronar as mais sólidas muralhas de identidade.” (Eduardo Viveiros de Castro, Metafísicas canibais.) Pau de Resposta, Acrílica s/ lona, 152 x 133 cm, 2022 Em 1500, o termo “sertão” correspondia ao que extrapolava os domínios de Portugal. Significava lugar longínquo e incógnito nos relatos de viajantes, a exemplo de Pero Vaz de Caminha. A luminosidade tropical, diferente da claridade difus
Guilherme Moraes
16 de abr.


WASHINGTON DA SELVA: FLECHAS CONTRA A COLONIALIDADE QUÍMICA
Washington da Selva (1991) constrói uma obra que atravessa memória, território e denúncia. O artista articula pintura, performance e objeto para enfrentar o que nomeia como colonialidade química, transformando narrativas familiares, arquivos de trabalhadores e saberes da roça em contra-imagens sobre o agronegócio, o racismo ambiental e a permanência cultural no campo.
Elizabeth Bandeira
8 de abr.
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